sexta-feira, 16 de março de 2012

PatchWords


Hoje trago para o blog um novo dossier.
Na lombada diz Patchwork e servirá para arquivar os posts sobre esta técnica de costura.
Recuando na linha do tempo, até à minha infância, associo-lhe agora dois interesses que então tinha. O interesse por puzzles e por trapinhos que a Dª. Maria Júlia -a costureira da minha mãe- me dava, quando íamos às provas. Afinal, patchwork é isso mesmo, fazer um trabalho de montagem/construção, a partir de retalhos, dando um "sentido" e um equilíbrio ao todo.
Há dois pilares nesta técnica milenar e são eles que me atraem em particular.
O primeiro é o princípio utilitário da reciclagem de materiais, de sobras de tecidos ou de roupas em desuso, que à primeira vista só fazem sentido a encher o caixote do lixo, mas que podem efectivamente vir a dar corpo a mantas, almofadas, sacos, malas, novas peças de vestuário, etc, etc...


O segundo é o da conjugação das cores, ou seja, da possibilidade infinita de criar padrões harmoniosos e que podem ser conseguidos independentemente de usarmos tons claros ou escuros, tecidos lisos ou estampados, às flores, às pintas ou às riscas.
A meu ver isto é o essencial do patchwork , o que o tem feito passar  através dos séculos e perdurar até à actualidade. Tudo o resto, técnicas, moldes e acessórios de costura usados na sua confecção, embora facilitadores, são secundários ou complementares.


As três fotos deste post são de mantas feitas pela minha avó Clementina. Tinha para lá dos 70 anos quando se iniciou e usava apenas uma tesoura para cortar -a olho- as roupas antigas e os tecidos dados pelas vizinhas e pedalava na sua Singer para os coser uns aos outros.
Sem grande rigor, bem sei, mas nelas ficou todo o seu cunho artístíco...